
Terreiro São Lázaro

Projeto:
Casa dos Arcontes em Rede: Histórias do Lugar


Os arcontes, na Grécia antiga, eram os guardiões dos arquivos, responsáveis pela segurança física do depósito de documentos oficiais, de seus suportes e pela interpretação dos documentos. Na casa residiam os magistrados, cidadãos que detinham o poder político, representavam a lei e tinham a autoridade reconhecida publicamente. Nos dias de hoje, a acumulação exaustiva de dados e arquivos que marcam a civilização, evidencia a fragilidade de articular uma memória voluntária, uma anamnese espontânea, de tal forma que os arquivos desmascaram a artificialidade do poder arcôntico e da narração vigente da história. Somente a preservação e o poder arcôntico podem garantir o “princípio de consignação”, o "corpus unicus", segundo Derrida. O que queremos fundamentar é a importância da preservação da memória não diassociada de seu tempo, conforme modus operandi e contexto técnico e estético - em rede
O hibridismo de tecnologias audiovisuais analógicas e digitais no contexto das redes presentes na internet cria duas forças distintas relacionadas a preservação, que se contrapõem e que também em alguns momentos dialogam: é possível identificar um movimento institucional de preservação, conservação e difusão audiovisual que tem na linha de frente instituições, governos e setores privados, assim como é possível identificar um movimento que surge a partir do ação de usuários da rede, amadores, colecionadores privados. Os efeitos do “Mal de Arquivo”, expostos acima, fazem parte da característica da preservação audiovisual institucionalizada, pois há a necessidade de uma reunião dos arquivos dentro de um contexto e de leis e políticas que se aplicam ao acervo contra a destruição e desaparecimento natural que atinge todos os arquivos. Já a preservação proliferativa, não se dá de forma institucionalizada, não é possível sistematizar ou antecipar os processos, ela ocorre de forma espontânea, o oposto da preservação institucional que ocorre pelo agenciamento e estabelecimento de regras. O que queremos é a partir da criação de nosso memorial sobre a matriarca da instituição, que se dissemine nas redes, Crie-se e e recrie-se. pode-se dizer que o poder arcôntico é desconstruído pelos “surfistas profissionais”. Aliado a este desejo, queremos dar visibilidade ao que historicamente foi invisibilizado. O apagamento generalizado – linguístico, estético, cultural – é uma forma de genocídio, chamada de epistemicídio. O termo é usado por militantes e intelectuais como a filósofa, escritora e ativista brasileira Sueli Carneiro e o sociólogo e pesquisador português Boaventura de Sousa Santos para explicar o processo de invisibilização e ocultação das contribuições culturais e sociais não assimiladas pelo pensamento ocidental. Abdias do Nascimento - escritor, dramaturgo, artista plástico, professor universitário, político e ativista dos direitos civis das populações negras brasileiras – refere-se a esse processo como embranquecimento cultural ou a outra estratégia do genocídio. O epistemicídio é fruto 5 de 9 de uma estrutura social fundada no colonialismo europeu e no contexto de dominação imperialista sobre outros povos. É com esse propósito de olhar para a importância da memória dessa cultura tradicional e sua visibilidade, como instrumento democrático e antirracista. Nesse sentido, paralelamente às nossas ações de matriz africana (culto aos orisàs), ações de cineclubismo, com mostras audiovisuais, queremos dar espaço à criação de nosso memorial dedicado à nossa matriarca, Bilina Laicó, fundadora deste Terreiro, na década de 1940, do século passado.
"Este projeto foi fomentado pelo Programa Funarte de Apoio a Ações Continuadas - Espaços Artísticos 2023". Funarte/Governo Federal"

OFINA DE ATABAQUES DIA 14 DE MARÇO 2025



OFICINA DE ATABAQUES DIA 15 DE MARÇO2025




OFICINA DE ATABAQUES DIA 16 DE MARÇO








Oficina de Trança Afro - 06 de Setembro 2025








